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Sectei quer ceder acervo da artista Lídia Baís do Museu do Marco para o Sesc

Negociação foi confirmada por entidades

O Marco (Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande) poderá ceder parte do acervo da artista Lídia Baís - tanto itens em exposição quanto de sua reserva técnica - para o Sesc de Mato Grosso do Sul, a partir de convênio que será firmado com a Sectei (Secretaria do Estado da Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação). A notícia foi confirmada nesta quinta-feira (5), pela assessoria das duas entidades, tanto do Sesc quanto da Sectei. "O Sesc formalizou à Sectei em dezembro de 2016 a intenção de ampliar o acervo do Museu Lídia Baís por meio da cedência de algumas peças do acervo do Marco", informou o Sesc em nota. 

Ainda segundo informações do Sesc, o que possibilitou essa mudança foi o novo prédio ocupado pelo Sesc, na Avenida Afonso Pena, onde funcionava o Museu da FEB (Forças Expedicionárias Brasileiras), cuja ocupação cultural foi divulgada no ano passado. O prédio passa por reformas e adequações, mas já apresenta o letreiro do Sesc. "Com a criação da nova unidade de Cultura (prédio do Exército – Mello e Cáceres) a Morada terá mais espaço para exposições fixas e é nossa intenção ter um acervo mais completo da artista Lídia Baís no local. Ainda não há data definida nem número de peças que serão cedidas pelo Governo", disse a nota.

Segundo o secretário Athayde Nery, retirar o acervo Lídia Baís da alçada do poder público e cedê-lo ao Sesc é uma forma de fazer as obras da artista serem mais vistas, além do fato de que as obras estarão voltando para sua "casa", que é a Morada. "É uma forma de homenagear a Lídia com essa possibilidade de acesso às obras dela. Ela foi uma mulher revolucionária e o Sesc tem já um espaço dedicado a ela na Morada dos Baís, com um cuidado muito carinhoso com as obras. Melhor que essas obras fiquem na exposição do que escondidas no Museu", explica Nery. 

Ainda segundo ele, o próximo passo é tornar a obra itinerante e fazer o nome de Lídia alcançar escolas, estudantes e crianças, para que entendam a importância do nome Baís e também do que Lídia pintou ao longo de sua vida. "Podemos agora levar para o Estado todo, e Lídia Baís é pioneira, nossa Cora Coralina. Estamos fazendo essa parceria pois o Sesc tem expertise justamente nisso, pois lá está criando mofo. Oxigenando essas obras podemos estimular que todos conheçam Lídia Baís", acredita o secretário. Além disso, Nery afirma que algumas renovações serão feitas no Marco, para valorizar artistas plásticos consagrados e novos talentos de MS. 

Lídia Baís

Lídia Baís nasceu em 1900 em Campo Grande, filha do famoso comerciante Bernardo Franco Baís. Pintora e desenhista, iniciou seus estudos em pintura com Henrique Bernardelli em 1926. Viajando pela Europa, teve contato com Ismael Nery, que influenciaria diretamente sua obra. Foi por iniciativa da própria Lídia, a criação de seu museu em 1940, quase 25 anos depois de ser construído o casarão da família - a tradicional e tão conhecida Morada dos Baís, considerado o primeiro prédio de alvenaria de Campo Grande.

Antigamente, em 1910, toda a família Baís morava no local e o quarto da artista era no andar de cima, só que, depois da morte do pai de Lídia, o quarto foi transferido para o andar de baixo. Lídia ingressou na Ordem Terceira de São Francisco de Assis, adotando o nome de Irmã Trindade. A partir daí, passa a dedicou-se exclusivamente aos estudos religiosos e filosóficos. Por volta de 1960 publicou, sob o nome fictício de Maria Tereza Trindade, o livro "História de T. Lídia Baís".

Na parede da Morada dos Baís, mais de 10 quadros entre pinturas a óleo, desenhos e fotografias em preto e branco dos Baís. Ela morreu em 19 de outubro de 1985 e deixou inúmeras obras, que agora estarão todas juntas na Morada. 

(Matéria editada às 17h49 para adição de informações)

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