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Para artista de MS há cinco anos em SP, performance é forma de resistência e verdade

Dudu Araujo fala sobre seu trabalho

Quando deixou Campo Grande para viver em São Paulo (SP), após ter passado praticamente toda a sua vida na Capital, o artista e performer queer Dudu Araujo não tinha ideia de que a arte iria encontrar com ele na cidade cinza. E foi há dois anos que ele começou a estudar a performance e percebeu que aquilo lhe representava. Após alguns anos trabalhando como produtor cultural, começou a se montar como a drag Duda Babaloo e circular pela noite paulista. "Quando comecei fui muito influenciado pelo boom drag que rolava no mundo todo. Eu busquei as referências que eu tinha disso, como a Maria Quitéria (o artista Arce Correa, de Corumbá) e algumas drags brasileiras e coloquei em cima disso. Mas por todo tempo isso foi algo que me incomodava, pois é a criação de uma persona, como se fosse algo a parte de mim", relata o artista. 

Aos poucos ele foi buscando novas referências e deixando a arte fluir. "Com o tempo eu fui experimentando, estudando performances diferentes, como Butô, Circense e também trazendo tudo que sempre curti em artes e não cabiam em drag.  Agora que eu finalmente entendi minha estética e minha potência de performance. Que agora é mais voltada para as minhas experiências e sensações pessoais", revela Dudu, que está em Campo Grande em dezembro para algumas apresentações. 

Performances acontecem em São Paulo / Foto: Marcelo Elídio

 

Dudu também pontua a questão de não se encaixar em padrões, o que é também uma das pontes da sua performance. "Em São Paulo somos a resistência do corpo excluído, corpo trans, não binário, gordo, estranho. Conseguimos bons espaços na noite, e nos apoiamos mas está na hora de ir além, de provocar mais, pelo menos para mim. Então tenho projetos que estão sendo pensados para instituições, mas também ações espontâneas em lugares abertos", afirma. 

Além de ser um artista performático, ele também é um dos criadores do site A Coisa Toda, que fala sobre diversidade, universo queer e LGBT, além de debater temas como machismo, universo drag, identificação de gênero, transexualidade e muitos outros segmentos. Quer derrubar tabus com discussão genuína e vários colaboradores, de várias partes do Brasil. "O site vem para endossar um papel político", explica.

Para ele, a performance é uma forma de resistir ao preconceito e criar arte com o corpo. Nesse quesito, ele afirma se inspirar em artistas de MS para sua própria arte. "Aqui temos o Thiago Silva Moraes que é um grande exemplo, que existe por ele mesmo, sem se colocar em regras. Ele acessa diversos campos da performance. Temos também a Maíra Espíndola, ela faz da vida dela uma performance artística, seja na música, na pintura, na vestimenta, na postura radical política e direta, ela vive isso! e você viver isso é um desafio do artista, de não se deixar influenciar pela caretice dessa sociedade que vivemos", aponta.

Dudu irá se apresentar na festa "Dragmas", nesta sexta-feira (23) no Sis Lounge Bar, a partir das 23h59, na Rua Dr. Zerbini, 53, no Chácara Cachoeira. No dia 25 ele também toca no Sis, na festa "Jingle Beats". 

Fotos: Marcelo Elídio

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