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Vereadores discutem tecnologia em audiência sobre 'Cidade Inteligente'

Realizada em parceria com o Sebrae

Com tanta tecnologia empregada atualmente, a cidade também necessita ser tecnológica, mas o cidadão precisa estar presente e se conectar. Pensando desta forma, os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande colocaram em pauta nesta sexta-feira (20) a implementação da Smart City como um conceito de inovação para aperfeiçoar resultados em diversos setores da Capital. Para isso, trouxeram o vice-presidente da ‎Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas, Cláudio Nascimento para tratar do assunto em audiência pública, realizada em parceria com o Sebrae.

A discussão ocorreu no plenário Edroim Reverdito, com representantes da tecnologia e inovação de Campo Grande para discutir o assunto. A reunião contou com a participação dos vereadores Junior Longo, que presidiu a audiência, João César Mattogrosso e Delegado Wellington. Referência na prática do tema, Cláudio Nascimento, destacou que a gestão pública brasileira está três séculos atrasada quando se trata de Smart City.

“Dos 5570 municipios do Brasil nem 5% tem entendimento do que é Smart City. A gente não se conecta. O desafio da rede é desburacrizar e aproximar a gestão pública da academia, das empresas e da população. Há uma necessidade de se comunicar. A gente precisa se comunicar, precia estar junto. Precisamos resolver o problema dentro da caixa, não fora. Se não resolvermos não resolveremos problema nenhum”, alerta Cláudio.

“A gente sabe que está muito longe, mas é uma luta diária trazer este entendimento. A gente vai ser engolido e vai ter que entrar nesta seara. A tecnologia não vai de uma hora para outra resolver tudo. Precisamos de uma tecnologia cívica para ajudar pesssoas o que é comum fora do país, enquanto aqui estamos engatinhando”, completa.

Para o vereador Junior Longo, chamou a atenção a frase utilizada por Cláudio Nascimento: pensar global, agir local. “É muito importante executar para já tudo que foi levantado nesta audiência. Precisamos de integração, informção e de um cidade inteligente. Temos que agir, colocar em prática”, destaca. Já o vereador Delegado Wellington falou da necessidade de resolver os problemas mais comuns primeiro. “Temos buracos na cidade ainda que precisamos tapar, além de outras dificuldades. As pessoas tem que dar opinião sobre o que querem da cidade para fazermos com que aconteça”, pede.

Pernambucano, Cláudio inovou e mudou o panorama da cidade turística de Recife e incita o pensamento para a Campo Grande ideal em 2030. “Vi as ciclovias da cidade. Temos que aumentar as ciclovias, as conectar. Se não tem dinheiro e não têm pessoas técnicas, tem a universidade pública”, destaca. Ele afirma que o segredo é envolver o cidadão e foi assim que os prêmios nacionais e internacionais para a gestão na cidade pernambucana. Em Recife, em poucos anos, a tecnologia da inovação e a conectividade, aliada à iniciativa privada nacional, internacional e às universidades, gerou um renda de mais de R$ 1,6 bilhão em 2016.

Exemplo

Exemplo de envolvimento com o cidadão em Campo Grande é o Instituto de Desenvolvimento Evangélico, da iniciativa voluntária de Enéias de Andrade Barbosa e seu irmão. O Pet Mania foi notícia nacional, principlamente, no período no qual o mosquito da dengue dominava os noticiários. A ideia começou com a troca de garrafas pets por uma moeda simbólica de uma real criada pelo Instituto. Deu tão certo que hoje o bairro Portal Caiobá fomenta o desenvolvimento do comércio local utilziando desta prática.  “Foi criado em 2014. A gente vende a pet. São 20 pets o quilo. Funciona no bairro envolve a população, comunidade e empresas. Além do Pet Mania tem Clube de Vantagens, que oferece descontos. Já são 32 comerciantes envolvidos”, explicou Enéias. 

O professor de arquitetura e urbanismo, Angelo Arruda, argumentou sobre a necessidade de conexão de pessoas e não apenas de equipamentos. “Campo Grande está discutindo no Plano Diretor um planejamento até 2048. O que vai nos facilitar no momento é sermos criativos, articulados e termos a capacidade de reconhecer nossas deficiências e exaltar a capacidade do outro como o exemplo dado pel o Enéias. Cidade inteligente é dos homens e mulheres inteligentes que se conectam e se articulam, não das tecnologias”, afirma.

A arquiteta e urbanista da Planurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano), Iva Carpes, relatou problemas para a conectividade, já que a comunicação entre os próprios servidores é precária e a parte estrutural falha. “Precisamos colocar praticiade. A comunicação entre uma secretaria e outra, entre as divisões, entre uma sala e outra não acontece. Há a fibra ótica que não chega na Planurb para fazermos a otimização. Se você pensar em tecnologia, no uso da tecnologia, você tem que pensar em espaços virutais e precisa de dados georeferenciados e indicadores. Tem um grande caminho a ser percorrido”, ressalta.

Elias Makaron Neto, engenheiro civil da SUFGI (Superintendência de Fiscalização e Gestão Imobiliária), órgão da Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Gestão Urbana) explica sobre as vontades políticas inteligentes, a governança inteligente e reforçou a  implamentação das ideias disponíveis de fato.

Ricardo Sena, secretário adjunto de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar (Semagro), também esteve presente, assim como o empresário da tecnologia, Alvaro Vasques, que destacou a existência de 35 empresários motivados a fazer alguma coisa pela cidade como exemplo de colocar todo mundo para pensar junto. 

Jean Siqueira Barbosa representou o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul. Estiveram presentes também Tito Estanqueiro (Sebrae) e Paulo Cardoso o diretor da Agetec (Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação).

 

 

 

 

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