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Em sessão na Câmara, indígenas pedem retratação de vereador

Vereador disse que “tem que descer o cacete” em manifestantes

Em sessão realizada na Câmara Municipal de Campo Grande na manhã desta quinta-feira (8), um grupo de lideranças indígenas se pronunciou contra as declarações do vereador André Salineiro (PSDB). Os líderes indígenas são da aldeia Córrego do Meio, de Sidrolândia, a 70 km da Capital.

Segundo o cacique da comunidade, Genivaldo Antônio Campos, a declaração do vereador incita a violência e demonstra falta de conhecimento sobre as questões indígenas. “Ele demonstrou que realmente não sabe nada do nosso movimento. Quando acontece este tipo de crítica, é uma demonstração de preconceito”, afirma. A subsecretaria de políticas públicas para a população indígena, Silvana Terena, pede uma retratação do vereador. Ela declara que, como representante do mesmo partido que o governo do estado, ele não deveria fazer estas declarações. De acordo com a subsecretaria, o governo tem uma política diferenciada de respeito e atendimento à comunidade indígena. “Nós já perdemos vidas por causa da violência no campo. Não estamos aqui para conflitos, sim para pedir uma retratação e evitar que outras pessoas façam o mesmo”, diz. 

No início da sessão, o primeiro secretário da Câmara Municipal, Carlão (PSB) disse que a declaração de André Salineiro foi infeliz e reforçou que a opinião não representa todos os 29 vereadores.

Repercussão

O vereador disse na terça-feira que deve haver medidas mais “rígidas” em caso de manifestações na rodovia. “Acho que o governo tem que mudar essa nossa lei que é muito fraca, porque, quando tem uma interrupção dessa, tem que chegar lá o policiamento e, se não tiver conversa, tem que descer o cacete mesmo”, disse. 

Otoniel é liderança na Terra Indígena Buriti e disse estar indignado com a declaração do vereador. A aldeia fica localizada em Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande, e foi o local onde seu irmão Oziel Gabriel foi assassinado em 2013. Segundo Otoniel, as manifestações são importantes para chamar a atenção de questões importantes para a cultura indígena, como a terra. “Nós achamos um absurdo e levamos como uma discriminação contra o nosso povo. Nosso último manifesto foi contra o parecer do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre a nossa terra, avisamos que estamos nela e não vamos sair”. O STJ decidiu no último dia 27 que a terra em questão não é indígena.

Otto Lara, O cacique da aldeia Colônia Nova, localizada na aldeia Taunay Ipegue de Aquidauana, a 143 km de Campo Grande, afirma que como servidor público, o vereador deveria ter mais responsabilidade ao fazer declarações como esta. Segundo o cacique, a manifestação na BR-163 foi necessária para reivindicação de saúde especializada nos indígenas. “Eles já não querem a gente nas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento), quando a gente chega lá, eles mandam a gente embora. No mínimo temos que procurar melhorias na Sesai (Secretaria de Saúde Indígena). Peço que ele venha fazer uma visita, saber da nossa realidade. Vamos ver se ele iria continuar falando esses absurdos”, declara.

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