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Previsão de geada no Estado deixa Bombeiros em alerta para focos de incêndio

Fenômeno acelera a secagem da vegetação

As previsões de baixas temperaturas com risco de geada para o sul do Estado para a madrugada desta terça-feira (18) deixam o Corpo de Bombeiros em alerta. O fenômeno climático que congela a vegetação pode acelerar a queima e secagem e aumentar os focos de incêndios florestais.

Nesta época do ano os quartéis trabalham com equipes extras, conforme explica o chefe do Centro de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar de MS (CBMMS), tenente-coronel Waldemir Moreira Júnior. “Se confirmar a previsão, a geada vai queimar a vegetação e deixar toda ela seca em uma semana, mais vulnerável aos incêndios florestais”, adiantou.

No período de estiagem – que começa em julho e termina no mês de setembro – os batalhões do Corpo de Bombeiros no Estado trabalham com equipes extras. “Colocamos uma equipe de sobreaviso ou presencial, conforme a região do Estado”, informa o tenente-coronel Moreira.

Além disso, é realizado o monitoramento de focos de calor através de dois sites do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Conforme a situação, equipes são mantidas de sobreaviso. Além disso, o Corpo de Bombeiros conta com os chamados da população.

Com o alerta de geada, as equipes extra estão de prontidão nas unidades. “É uma escala extra, fora o serviço 24 horas. Temos em cada quartel uma equipe a mais, inclusive no setor administrativo”, detalhou. Esses militares ficam mobilizados das 8h às 19h.

Áreas de risco no Estado

Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,5 milhões de hectares de áreas com risco de incêndio. De acordo com o tenente-coronel Moreira, plantações de cana-de-açúcar e florestas plantadas são os locais que mais demandam atenção. “As florestas de eucalipto, como em Portugal, possuem seiva que é combustível. E se estiver muito seco, as folhas secam, e o incêndio pode começar pela copa”, explica.

Segundo a Reflore (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas) até julho de 2015, o estado tinha 820.000 mil hectares de plantação de eucalipto. Ao observar o aumento da área plantada a cada ano, em 2017 a área deve passar dos 1 milhão de hectares.

Segundo o tenente-coronel Moreira, mesmo que as queimadas em plantações de cana-de-açúcar sejam realizadas de forma controlada, em horários específicos e em áreas alternadas, é possível que se transforme em incêndio. Segundo dados do Perfil Estatístico de Mato Grosso do Sul em 2016 publicado pela atual Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) em 2015 a área destinada ao plantio da cana-de-açúcar era de 692.300 hectares.

Ainda de acordo com o tenente-coronel Moreira, a Reflore faz monitoramento das plantações de eucalipto e tem equipamentos necessários para conter o fogo, além de divulgar informações para a população das cidades próximas.

“Eles fazem campanhas específicas e monitoramento das florestas. Se encontram algum foco de incêndio eles fazem a contenção e, se necessário, acionam o Corpo de Bombeiros”, diz Moreira. Ele afirma também que, a indústria sucroenergética, além de usar de procedimentos para as queimadas, realiza o acompanhamento preventivo com equipamentos específicos.

Previsão

De acordo com previsões do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pode gear em toda a região Sul de Mato Grosso do Sul nesta madrugada, incluindo a Grande Dourados e o entorno dos municípios de Ponta Porã, Naviraí e Nova Andradina. A queda brusca nas temperaturas é decorrente de uma massa de ar frio que avança pelo continente.

O frio intenso motivou alerta do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), válido até amanhã (18.7), quando os termômetros podem chegar a zero graus Celsius.

Além da queda nas temperaturas, a umidade relativa do ar deve baixar a 20% – considerado estado de alerta. Além do risco de queimadas, essas condições climáticas podem provocar problemas respiratórios e a população deve se manter hidratada e evitar exercícios físicos. A previsão é que a massa de ar frio se afaste e as temperaturas comecem a subir no decorrer da semana.

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