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Energia fotovoltaica é competitiva, mas ainda não atrai indústria

Maior parte de consumo parte de residências

Quando reformou o novo prédio da sua indústria de confecções, o empresário Rodrigo da Costa Escavassa decidiu instalar o sistema de geração de energia fotovoltaica para reduzir a conta de luz. Isso aconteceu em julho de 2015 e hoje ele pleiteia um financiamento no Banco do Brasil pelo FCO (Fundo Constitucional de Financiamento para o Centro-Oeste) para aumentar sua capacidade de produção.

Na época da reforma ele instalou somente duas placas solares, mesmo assim com economia mensal de um pouco mais de 9%. “Pelos orçamentos que já fiz, vou precisar investir R$ 62 mil para tornar a Planet Camiseteria 100% autossuficiente”, explica Rodrigo. São necessárias mais 32 placas para completar o sistema.

A Planet Camiseteria é uma das 3 únicas indústrias a implantar o sistema de geração de energia fotovoltaica no Estado. Apesar de representar economia certa, indústria e comércio ainda estão temerosos em investir na mini e microgeração de energia fotovoltaica.

Segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) até 30 de junho de 2017, Mato Grosso do Sul tinha 269 pontos de geração distribuída. Destes, 84% são consumidores residenciais, 10,7% comerciais, propriedades rurais representam 4% e as 3 indústrias, 1%.

Para o vice-presidente do Concen-MS (Conselho dos Consumidores de Energia Elétrica da área de concessão da Energisa/MS), Didimo Pereira Cabral, o alto investimento é o que mais impede que o sistema seja adotado massivamente. “O que mais dificulta a disseminação do uso da tecnologia é o valor. Há a briga por conta de algum financiamento de bancos voltados para essa área de interesse, que tenha juros razoáveis”, opina.

O titular da Semagro (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck, confirma que em relação à mini e microgeração de energia fotovoltaica o estado é destaque apenas no segmento residencial. “As empresas e indústrias de grande porte têm dificuldade, pois o valor dos projetos é alto. Começa com médio porte”, analisa.

Simulador dá poder de decisão

Na última segunda-feira (7) o Senai Empresas lançou o projeto Sistemas Fotovoltaicos - um simulador que determina a viabilidade da implantação de sistemas geradores de energia solar, considerando as linhas de financiamento disponíveis.

​O gerente do Senai Empresas, Rodolpho Caesar Mangialardo, disse durante o lançamento que, além do alto investimento, empresários estão cautelosos em meio ao cenário de incertezas político-econômicas. “As indústrias ainda estão receosas em fazer qualquer tipo de investimento neste momento de crise”, afirmou.

“Com o simulador, o financiamento, que será feito junto a uma instituição financeira, tenta equalizar a fatura de energia elétrica versus ao financiamento do banco. Então ao invés de ele [empresário] pagar a conta de energia, paga o financiamento”, explica Rodolpho.

Um dos objetivos do Senai Empresas é auxiliar as indústrias na decisão pelo sistema. “Teve caso de cliente nosso de indústria que conseguiu uma proposta no mercado de R$ 600 mil. Entramos no meio, ele já estava para assinar um FCO e falamos ‘para tudo, vamos procurar mais’. Achamos o mesmo projeto por R$ 400 mil. Ele ia pagar uns R$ 9 mil para quatro placas, caiu para R$ 5 mil”, conta Gustavo Viotto, consultor do Senai Empresas.

A tecnologia está se disseminando, tanto que diversas pessoas estiveram no evento para realizar simulações. De acordo com Gustavo, durante o lançamento, foram realizadas quase 200 simulações, não somente de consumidores industriais, mas comerciais e residenciais também.

O designer gráfico Cassio Shimizu, de 36 anos, que deseja instalar os equipamentos em sua casa, estava há dois anos buscando informações. Na época os orçamentos giravam em torno de R$ 20.000,00.

A simulação feita para Cássio indica que ele precisa de 4 placas solares e investimento de R$ 6.500,00 (Foto - Tatiana Marin)

Pelo simulador do Senai Empresas, o investimento de Cássio ficará na ordem dos R$ 6.500,00 e o ponto de equilíbrio será atingido em pouco mais de 6 anos. O consumo médio registrado na conta de energia de Cássio é de 200 kW e serão necessárias 4 placas para o projeto. “Este é o preço inicial, ainda cabe negociação”, avisa Gustavo, alertando que o valor do investimento pode diminuir.

Os resultados da simulação mostram que os preços vêm caindo. Para um consumo médio de 200 kW mensais o investimento é de aproximadamente R$ 10.000,00, segundo o engenheiro eletricista Rhuan Dyego Bortoni Grubert, que instalou o sistema na própria casa.

“Na minha casa o sistema é modular, posso ir aumentando conforme a necessidade. Instalei 2 placas e um micro inversor que cabia e começou a reduzir a conta de energia. Seis meses depois, comprei mais duas placas. E depois de mais 6 meses comprei outro micro inversor e meu projeto agora tem 6 placas e todo mês pago somente a taxa mínima”, conta Rhuan.

Após a instalação do sistema, na conta de energia de Rhuam vem apenas a cobrança da taxa mínima.

Durante a reforma da Planet Camiseteria em 2015, o que impediu Rodrigo de implantar o projeto integralmente foi o alto valor de investimento.  “Era muito caro. Hoje as placas estão custando a metade do preço”, destaca o empresário. Mas não é somente o baixo custo que o atrai, a questão ambiental também é um forte motivo. “Penso também na preservação do meio ambiente. No futuro pretendo instalar cisternas para coletar a água da chuva”, planeja.

“O sistema fotovoltaico gera impacto na estrutura de distribuição de energia elétrica. É um grande caminho. As concessionárias de energia vão ter que se reinventar”, afirma Jaime Verruck.

Quem desejar realizar a simulação e saber a viabilidade para a instalação de equipamentos de geração de energia fotovoltaica, deve procurar o Senai Empresas no prédio da Casa da Indústria e levar uma conta de energia elétrica recente. Mais informações pelo telefone 3389-9000.

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