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Mais de 11 mil pessoas se suicidam por ano no Brasil, aponta estudo

Boletim mostra que indígenas são os que mais se matam

Cerca de 11 mil pessoas morrem vítimas do suicídio todos os anos no Brasil. Esses são os dados apresentados pelo Ministério da Saúde no primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado nesta quinta-feira (21).

As estatísticas mostram que, entre 2011 e 2016, mais de 62,8 mil pessoas tiraram suas próprias vidas no Brasil. A maioria, 79%, foram homens, enquanto 21% são mulheres. O boletim faz parte das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio.

Segundo o boletim, para cada mulher que se matou, quatro homens cometeram suicídio. Para a diretora do Departamento de Vigilância e Doenças e Agravos Não-Transmissíveis, Fátima Marinho, o número de suicídios pode ser maior.

Segundo ela, há um tabu sobre o suicídio, principalmente nas classes sociais mais alta, o que dificulta a identificação dos casos. “As pessoas mais pobres, em geral, captamos a morte porque ela vai pro IML”, diz Fátima

Grupos

A maior taxa de mortalidade entre os grupos étnicos é entre indígenas, sendo que 44,8% dos suicídios entre índios ocorre com pessoas de 10 a 19 anos. A cada 100 mil habitantes, são registradas 15,2 mortes entre indígenas, 5,9 entre brancos, 4,7 entre negros e 2,4 entre amarelos.

A secretaria Especial de Saúde Indígena, Lívia Vitenti, aponta como motivo para as mortes de indígenas o alto uso de álcool entre essa população, as disputas territoriais e conflitos com a população não indígena.

O boletim mostra também que os idosos, de 70 anos ou mais, estão entre as maiores taxas, chegando a 8,9 suicídios para cada 100 mil habitantes. Para Fátima, isso ocorre pois eles são vítimas de doenças crônicas, depressão e abandono familiar.

A maioria absoluta dos suicídios, 62%, foram por meio de enforcamentos. Mas os suicidas também utilizaram armas de fogo e intoxicação para tirar as próprias vidas. Nos EUA, o mais comum é o uso da arma de fogo, onde são liberadas.

Mais solteiros se suicidam do que pessoas que mantém relacionamentos afetivos, segundo as estatísticas: 60,4% dos casos registrados são de pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas, e 31,5% eram casadas ou mantinham relação estável.   

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