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Ato cultural em Fortaleza relembra Dandara e pede o fim da transfobia

Assassinato de travesti teve repercussão internacional

Música, cinema, dança e performances marcaram a programação do Centro Cultural Bom Jardim na tarde e noite de ontem (18) em homenagem a Dandara dos Santos, travesti que foi torturada e morta no bairro que dá nome ao equipamento, em Fortaleza.

Intitulado Dandaras Vivem', o evento chamou atenção para a brutalidade do caso, ocorrido no dia 15 de fevereiro e reivindicou o fim da LGBTfobia. “Existe uma Dandara aqui, outra no bairro Antônio Bezerra, existem Dandaras em todas as partes do mundo e acontecem crimes todos os dias”, disse a apresentadora Lena Oxa.

O assassinato de Dandara ganhou repercussão internacional depois que o vídeo com a sequência da tortura a que foi submetida circulou nas redes sociais. Ela foi espancada, colocada em um carrinho de mão e morta com disparos de arma de fogo. Oito pessoas foram detidas acusadas de participar do crime, sendo quatro adultos e quatro adolescentes.

“O termo 'opção sexual' é o que tem matado uma grande quantidade de LGBTs [lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros], pois nossos pais, nossos professores, nossos amigos entendem que somos assim porque escolhemos essa vida. Quando você vir um LGBT, entenda que ele se reconhece assim e não escolheu. Parem de nos matar e nos julgar, pois somos seres humanos iguais a qualquer um”, pede Baterflay Villar, presidente da Associação dos Homossexuais do Município de Iguatu e do Centro Sul do Ceará.

Durante o evento, o presidente do Instituto Dragão do Mar, Paulo Linhares, anunciou uma série de atividades que terão início neste semestre voltada para o segmento LGBT. Entre elas, estão a formação de um núcleo de formação artística, o projeto Trajetos Artísticos, um festival de artes e um programa de TV sobre os direitos desta população, que será realizado em parceria com a TV Ceará, parceira da EBC.

“Este é um momento muito grave para a vida social, que tem que ser refletida e acompanhada. Essas pessoas são praticamente excluídas da vida social e depois são aniquiladas. É uma morte cultural também. Por isso a cultura tem um papel importante de afirmação.”

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