Campo Grande: Um Verdadeiro Caos

 

                                                                       JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA ROBALDO·

 

 

            O Papai Noel não foi feliz com o presente que deu à “Cidade Morena” e à sua população neste último Natal. Campo Grande, uma das mais belas capitais do País, não merecia ser transmitida, da forma como foi, à gestão que assumiu no primeiro dia deste ano (2017). A culpa seria das chuvas, isto é, de “São Pedro”, ou da má gestão sucedida, ou do eleitor que não foi criterioso ao escolher seus representantes, mais especificamente o seu “síndico”?

            O quadro é tão caótico, ou seja, o número de buracos é de tal ordem, que ficou difícil afirmar se há buracos nas vias públicas ou se há vias públicas nas crateras! Um verdadeiro caos que incomoda até mesmo os mais calmos e otimistas!

            Esses são os buracos que vemos. Ao lado desses, há, segundo se tem divulgado, o buraco de dívida que supera a 360 milhões de reais, entre outros problemas de ordem administrativa. 

            Já tivemos a oportunidade em outros textos de afirmar que o eleitor tem grande responsabilidade ao escolher o(s) seu(s) representante(s). É certo que o eleitor tem o direito de escolha, isso não se discute. Entretanto, esse direito é vinculado ao dever de escolher bem. Ao exercer o sufrágio do voto, o eleitor não pode esquecer que não está escolhendo alguém para administrar a coisa particular, e sim a coisa pública. O eleitor tem a obrigação de analisar o candidato em suas várias dimensões (honestidade, experiência, capacidade de gestão, entre outras). Ou seja, analisar o seu contexto histórico. O erro poderá custar caro a ele mesmo e à sociedade como um todo.

            Imagina-se que esse quadro fosse do conhecimento, ainda que parcial, da atual gestão. Por certo, não na sua exata dimensão, pois, segundo divulgado pela imprensa, a equipe de transição escolhida pelo atual prefeito teve dificuldade de acesso à documentação da então administração. Isso, com certeza, está exigindo e vai exigir um empenho extraordinário da atual gestão para contornar e superar esse quadro crítico e colocar a casa em ordem.

O contexto, somado à crise econômica que assola o País como um todo, exigirá muita criatividade, esforço e empenho do atual prefeito e de sua equipe. É o mínimo que a população campo-grandense espera. Essa expectativa aumentou positivamente com a declaração do próprio prefeito Marquinhos Trad, que tem a obrigação de administrar bem a cidade, pois “ninguém lhe obrigou a candidatar-se” (entrevista à TV Morena na terça-feira, 10.1). É importante que o político tenha essa consciência.

De fato, os problemas que envolvem a “Cidade Morena” e, por certo, a totalidade do seu município são muitos, o que exige da população um crédito de confiança à atual administração. Quando a doença atinge o estágio de septicemia, exige-se muita paciência para contê-la.

Aliás, falando em buraco/cratera, é bom lembrar que esse mal não é “privilégio” das ruas de Campo Grande. A rodovia estadual que liga Amambai a Caarapó está intransitável tanto são as crateras existes. E o que é pior, a colheita da soja na região está prestes a ocorrer. Como fica o seu escoamento?

É oportuno lembrar que eventuais acidentes decorrentes dessas avarias podem acarretar responsabilidade civil objetiva ao Estado ou ao Município ou até mesmo responsabilidade penal aos seus responsáveis.

 Enfim, o Papai Noel deveria ser mais pródigo.

 

 

 

· Procurador de Justiça aposentado. Advogado. Mestre em Direito Penal pela Universidade Estadual Paulista-UNESP. Professor universitário. E-mail jc.robaldo@terra.com.br

 

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