O Leito de Procusto

Conheci o João Guilherme Vargas Netto, hoje ele mais de meio século de vida, é consultor sindical, homem vivido nas causas do Brasil, sempre atento ao rumo da politica, critico ferrenho com relação às decisões dos gestores públicos. Um dos mais talentosos e audazes quadros dos analistas da conjuntura brasileira. Costumo lê-lo com frequência. No seu ultimo artigo ele escreveu falando sobre “Procusto” para elucidar aos seus leitores as trapalhadas do Governo Federal com suas ultimas demandas politicas aprovadas no Congresso nacional.

“Procusto” era um mitológico bandido grego que obrigava os viajantes assaltados a se deitarem em uma cama pequena e amputava as partes de seus corpos que a excediam.  A PEC 241, ou PEC dos gastos públicos, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados em primeira votação, é um verdadeiro leito de “Procusto” para toda a sociedade brasileira que, durante 20 anos, verá diminuída a participação do Estado nas despesas sociais e de educação, saúde, segurança, investimento e pessoal qualificado, deixando crescer livremente apenas as despesas financeiras com os juros da dívida, abocanhadas pelos rentistas.  Além do glamoroso  jantar oferecido pelo presidente da república com a finalidade de arrebanhar deputados pela sua aprovação, a PEC 241 mereceu o apoio unânime do empresariado brasileiro que, com sucessivas e enormes matérias publicitárias (pagas certamente pelas gordas verbas do sistema S) acomodou-se no fatídico leito, pronto a sofrer a diminuição criminosa em seus interesses produtivistas.

O movimento sindical dos trabalhadores do setor privado da economia (acossado pela feroz recessão e enfrentando difíceis campanhas salariais) reagiu debilmente a esta investida mutilatória e os companheiros do setor público, representados por suas entidades, amargaram a acusação hipócrita de corporativistas ao defenderem seus dedos e os anéis. Neste clima de certezas negativas, com a mídia a todo vapor editando, festiva, a votação da Câmara nos cadernos de economia, alguém pensa que no apertado leito de “Procusto” serão poupados os braços da previdência social e as pernas do salário mínimo?

O pior das consequências, como dizem os portugueses, é que elas vêm depois. Para melhor organizar o esquartejamento, o governo adiou (pela segunda vez) a reunião que havia convocado com as centrais sindicais sobre a reforma previdenciária, postergou para depois do segundo turno das eleições municipais ou como diz no latim: “sine die”, (sem dia).  É importante e resulta do bom senso que as direções sindicais reforcem as mobilizações unitárias de resistência para este mês. Para finalizar, temos de nos manter mobilizados e intensificar nossa pressão. Para isto as centrais sindicais vão realizar, no próximo dia 25, um dia nacional de lutas pelos direitos, com manifestações e atos por todo o País. Entendemos que as reformas são necessárias, mas desde que nossos direitos sejam respeitados e ampliados. Como, aliás, costuma acontecer em países que sabem valorizar seus trabalhadores. Se continuar como está acontecendo no congresso brasileiro tudo virar um verdadeiro leito de “Procusto”.

 

Prof. Jânio Batista de Macedo – Coordenador do SNDNAPI/MS (www.sindnapi.org.br)

 

App MidiaMax disponível para Download

Fique conectado a partir do seu celular!

Clique e faça download agora mesmo