Por Que "Temer" A Reforma da Previdência?

Fiz Filosofia. Estudei muito, confesso. Aprendi a analisar e repensar as situações da vida. E com isso analiso o atraso da CUT ao apostar no radicalismo em não sentar-se à mesa com o Governo Interino para iniciar uma discussão importante que afeta milhões de trabalhadores da sua base. Creio que os trabalhadores não aceitaram a posição da direção da Central cujo presidente defendeu Dilma Rousseff em discurso sugeriu “pegar em armas” caso a presidente fosse afastada do Governo Federal. Esse radicalismoperdeu a noção de “ir à raiz do problema” e é muito mais entendido como intransigência pura e simples, independente de raciocínio lógico. Tomando-se como intransigência, o radicalismo que atrapalha todo o processo de discussão, porque assume-se uma posição fixa no debate e não há espaço para aprendizado, renúncia ou concessão no campo das ideias.

Esse discurso de não reconhecer o governo interino é ficar a margem da legalidade, pois o processo aceite ou não foi, respaldado dentro da lei do impedimento e até o final dos 180 dias o presidente interino Michel Temer é legitimado como gestor protagonista do governo federal. Nessa reunião com as lideranças das Centrais o peemedebista Temer foi mais ágil que a Dilma em relação àreforma da Previdência. Primeiro,disse que o objetivo não é tirar direito de ninguém. Deixou isso muito claro. Segundo, que o governo tem urgência de resolver essa questão e determinou a criação de um grupo de trabalho, que será coordenado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para discutir a reforma com as centrais.

Estiveram na reunião,Ricardo Patah, presidente nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores); José Calixto Ramos, presidente nacional da Nova Central Sindical dos Trabalhadores e Antônio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) e Paulo Pereira da Força Sindical. Também participaram os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Ronaldo Nogueira (Trabalho).A Força Sindical deixou claro que não aceita mudanças para quem já está no sistema da Previdência. Nãoaceita também que tire direito de quem está no mercado de trabalho.

Sindicalistas saíram dizendo que topam discutir, mas não aceitam mudanças como o aumento da idade mínima para a aposentadoria.O importante é que o governo abriu negociação. Os dois lados não concordam em muitas coisas.Esse encontro, pelo menos, teve o mérito de enfrentar o problema, porque essa reforma é fundamental para conter o rombo da Previdência.Essa conta não fecha há muito tempo e o problema vem se agravando com o aumento da expectativa de vida do brasileiro. As resistências são fortes, e a CUT vai discuti-las onde? Perderam o bonde. Os representantes das quatro centrais convidadas que participaram da reunião e toparam participar do grupo,vão acertar a agenda de trabalho para as discussões. Nesse primeiro encontro, ninguém falou em detalhes da proposta em estudo. O diálogo sempre é importante. Precisamos construir uma forma de solucionar os problemas do Brasil.A Previdência é discutida desde 94. E desde 94 não se achou nenhuma solução até hoje. Começa e para. Vamos ver agora.

O déficit da Previdência este ano deve chegar a R$ 133 bilhões. Sem reforma, o sistema está ficando insustentável.As Centrais que participarão do grupo de trabalho da reforma da Previdência vão protagonizar uma nova historia sem a CUT. Como dizia Lenin: “... A teoria sem a prática de nada vale, a prática sem a teoria é cega.”

 

 

Prof. Jânio Batista de Macedo – Coordenador Estadual do SINDNAPI MS – (www.sindnapi.org.br)

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