Amores brutos e chifres alheios

Dante Filho

Ainda não ficou claro qual a relação entre as denúncias da compra e reforma do apartamento no Guarujá e o desfrute e curtição do sitio em Atibaia, envolvendo o ex-presidente Lula e dona Marisa, com o escândalo da ex-amante de FHC, jornalista Mirian Dutra Schmid. 
O fato da simultaneidade dos assuntos surgirem com destaque na mídia levou muita gente a suspeitar de que seria jogada do PT para desviar o assunto, na base do argumento sorrateiro deque na “política ninguém é santo”.
Em algum ponto do universo as duas histórias se encontram. Nada acontece por coincidência.
FHC teria prevaricado durante seis anos quando era senador e, desse relacionamento, teria nascido um filho, ao qual ele reconheceu como legitimo, mesmo que testes de DNA tenham confirmado que o rebento não era seu.
Mesmo assim, ele assumiu o menino, deu-lhe estudo e moradia. Pelo que se sabe a relação entre os dois até hoje é afetuosa e de mútua admiração. Dessa forma, depreende-se que a ex-amante agiu com o vezo do rancor ou outros interesses. 
Tudo ficaria na esfera privada, caso a jornalista não tivesse declarado que durante muito tempo recebeu 3 mil dólares mensais de uma off shore, mantida pela  empresa Polimídia, que atendia a Brasif, que administrava free shops, contratada pelo Governo Federal, sob a presidência de FH. 
Mirian inclusive afirmou que nunca na vida realizou tal trabalho, porque sua atividade sempre teve ligação com a rede globo. Aí, não há dúvida de que o caso tem interesse público. 
Tudo nessa história sugere encrenca. Não há como não ficar com a pulga atrás da orelha. 
Bem, o assunto está sendo investigado pela Polícia Federal, mas politicamente implica em dano à imagem de Fernando Henrique, pois esse fato não combina com a ideia que se formou em torno do príncipe da sociologia, homem de bons modos, sujeito que tinha boa relação com a falecida Ruth Cardoso, mulher afirmativa, intelectual, dona das boas causas do mundo. 
Tudo seria perfeito se casos como esse envolvessem apenas o homem  FHC e não o político FHC. Bastidores da vida privada de personagens históricos sempre causam sensação. 
O rumoroso caso entre Dom Pedrito I e a marquesa de Santos até hoje rende historias deliciosas. A mulher era tão poderosa que nenhum navio entrava no porto de Santos sem lhe pagar propina. 
Qualquer historiador que faça um mergulho na vida privada do poder sempre terá a chance de descobrir nódoas inusuais. 
Kennedy era um predador sexual. Mitterrand teve dúzias de amantes. Recentemente, descobriu-se que Evo Morales teve caso com uma lobista e ele só soube que tinha um filho, que julgava ter morrido, no meio de uma campanha eleitoral.
 Itamar Franco era dado a esquisitices. Geisel era um carola fanático. Lula carrega até hoje nas costas o famoso caso Rosemeyre Noronha. Perdem-se as contas das futricas sexuais envolvendo figuras públicas aqui e alhures.
Isso para citar apenas os homens. O caso das traições femininas certamente abre um compendio inusitado de fofocas picantes e rocambolescas. O finado João Goulart, o general Figueiredo e tantos outros que eram, volta e meia, vítimas de ostentarem expressivas galhadas pela vida afora.
Na esfera estadual e municipal é melhor nem entrar no tema porque a maioria dos personagens circula por ai com amantes, algumas tilintando jóias caras, carrões de luxo, e vivendo aventuras febricitantes de alcova, cujo interesse público é zero. 
O fato é que ninguém tem nada a ver com a vida privada de ninguém. A não ser que aquilo que esteja na esfera dos países baixos suba ao cérebro, transformando o tema em problema de Estado. Nos anos 70 era comum justificar esse tipo de boataria: havia os famosos “sociólogos de botequins” que afirmavam que o homem na horizontal determina o pensamento e as decisões do homem na vertical. Será?
Acho que aquilo que pessoas adultas fazem debaixo do edredon às vezes se transforma em assunto político porque vivemos em uma sociedade que adora julgar moralmente aspectos da vida alheia pela sua sexualidade, acreditando na ilusão do amor indissolúvel, desconsiderando a força infrene das paixões. Na maioria dos casos é tudo hipocrisia. Mas quem resiste a uma fofoca envolvendo poderosos resolutos?
 

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