Começar de novo

Dante Filho
Esta semana o Brasil entra em funcionalidade efetiva. Bem vindo a 2016. Respiremos fundo. Não será fácil. Aquele pessoal que fica perguntando “que crise?”, “que crise?” terá respostas dentro em breve. Os profetas de todas as platitudes terão assunto de sobra de agora em diante. Viva a realidade.
Na economia, os números do PIB, inflação, investimentos e déficts fiscais estão dados. Há indicativos para todos os gostos. Para o lado que se olha, há excesso de problemas e escassez de soluções. 
Vou citar apenas um porque considero-o expressivo, por causa da repercussão geral no processo econômico. Depois que foi divulgado crescimento vertiginoso na inadimplência das contas de luz, passando de 6% para quase 20% em poucos meses – o que impactará negativamente nas arrecadações estaduais, por exemplo – não será necessário muita imaginação do que virá pela frente. Os governos tentarão remediar a situação, mas mesmo assim será preciso muita criatividade para dar conta das demandas sociais que surgirão no decorrer do ano. As equações não se encaixam.
Na política, o quadro será mais complicado. Fora o drama de Dilma e do aprofundamento da lava jato, tem eleição municipal no fim do túnel. Os especialistas em “narrativas” invocarão seus oráculos para explicar o que vai acontecer. Tudo chute.
Pesquisas de opinião pública para consumo interno estão sendo realizadas para simular nomes de possíveis candidatos dos principais municípios do Estado, embora seja interessante ressaltar de que isso pouco adianta porque o eleitor geralmente cita ou lembra os nomes mais conhecidos que lhe vem à cabeça (os caras chamam isso de recall), o que neste momento significa nada vezes nada.
Recentemente, conversei com três políticos experientes sobre o quadro geral das nossas eleições. Todos ponderaram a situação especialíssima em que o País está vivendo. A taxa de incerteza é elevada e anormal. E há uma estrada de Damasco a ser percorrida. 
Primeiro, haverá que se saber o resultado final sobre a janela partidária a ser aberta. Só depois disso será possível analisar como os partidos se reorganizaram internamente para enfrentar o próximo pleito.  
Em seguida, teremos a discussão em torno da legislação que proíbe que partidos que não possuem diretórios municipais nas localidades possam lançar candidatos. Será preciso esperar a decisão do Supremo. Tem gente arrancando os cabelos por isso.
Logo adiante, os partidos discutirão as melhores estratégias para entrar na disputa: com candidatura própria, em aliança com outros partidos etc., ou seja, como será organizada essa maquinaria e quais serão os discursos que poderão embalar os interesses gerais. Não haverá dinheiro empresarial nas campanhas, o que indica uma eleição extremamente judicializada.
É importante dizer que as etapas a serem seguidas serão protagonizadas pelos atores políticos conhecidos. A partir daí, com nomes mais ou menos consolidados, é que poderemos contar com boas pesquisas para aferir tendências e preferências. 
Lá pelos meses de junho e julho, a névoa diáfana da realidade começará a dar forma a imagens definidas, ainda que desfocadas. 
Até o momento, contudo, só existem dois candidatos na raia da disputa em Campo Grande, maior colégio eleitoral do Estado: Alcides Bernal (PP) e Nelsinho Trad (PTB). Seria estranho que PT, PMDB e PSDB não lançassem candidatos. Seria o mesmo que fazer um auto-reconhecimento de fracasso histórico.
Marketing da desgraça
Não há como deixar de ficar horrorizado com o cinismo governamental quando assistimos passeios inúteis da presidente de república e ministros de Estado, servilmente acompanhados por autoridades municipais e estaduais, no abre-alas da luta contra o mosquito aedes aegypti. Indispensável comentar que a falta de ações e investimentos efetivos no decorrer desses anos todos foi o que gerou esse quadro desolador, que transformou o Brasil numa Namíbia. 
Agora, quando milhares de pessoas morrem e sofrem indefesas contra as doenças transmitidas pela incúria dos governos, os personagens responsáveis pela desgraça assumem a frente da fila da “corrente do bem” para solucionar um problema que eles mesmos criaram.
Nesse ponto, sobressaem os comentaristas chapas-brancas martelando na tecla de que Dilma está fazendo “do limão uma limonada”, trivializando a inteligência das pessoas ao transformarem verdadeiros canalhas em heróis. Dá licença, vai.

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