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Pecuaristas temem caos no setor com escândalo da 'carne podre' da JBS

Empresa compraria 80% da produção em MS

Um dos alvos da Operação "Carne Fraca", deflagrada hoje pela Polícia Federal nesta sexta-feira (17), o frigorífico JBS Friboi compra 80% da carne produzida pela pecuária, um dos setores mais fortes da economia de Mato Grosso do Sul. A informação é do presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de MS), Jonatan Barbosa. De acordo com ele, a suspeita da PF de que  empresa venda carne estragada, depois de maquiar o produto com ácido, deixou todo o setor bastante apreensivo. "Se a JBS fechar, não tem para quem vender", resumiu. A reportagem apurou que o primeiro prejuízo já chegou ao Estado: a empresa suspendeu o patrocínio que daria à Expogrande, tradicional festa do setor rural no Estado, que começa no dia 30 deste mês.

Ao comentar os possíveis impactos para o Estado, que considera evidentes, Barbosa avaliou que nos últimos anos foi permitido um "equívoco", com o grupo JBS concentrando o comando das plantas industriais, comprando outras unidades e, até,provocando o fechamento de outras. Ao todo, são 22 plantas  da multinacional no Estado, em 9 cidades.

Dada a envergadura da operação hoje, considerada a maior já feita pela Polícia Federal, Jonatan vê riscos iminentes para o setor. "Eles têm o domínio no Brasil e na América Latina", citou.   

A situação envolve, conforme Jonatam, não apenas a carne bovina, mas também de frango e suína. Além disso, a agricultura também pode ser afetada,pois fornece insumos para a produção de carne,lembra o dirigente.

Jonatan cita que os riscos não são apenas para os produtores, mas também para o Governo.Ele lembrou que Mato Grosso do Sul já acumula perdas com a redução drástica na compra de gás da Bolívia, que tirou R$ 900 milhões de ICMS desde novembro de 2015. " Um problema com o JBS também pode afetar a arrecadação", afirma.

A Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) foi procurada mais ainda não se manifestou. A Acrissul representa em torno de 4 mil produtores.

Além do grupo JBS, o BRF, dono das marcas Sadia e Perdigão, também está envolvida no escândalo.

Problema nacional

Os riscos já haviam sido alertados, hoje, pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Em entrevista à Agência Brasil, ele avaliou que a imagem do Brasil no estrangeiro vai ser muito afetada, de forma negativa, pelo resultado das investigações da Polícia Federal.

Castro revelou que vê com preocupação a situação, “porque o Brasil demorou muito tempo para consolidar sua participação no mercado internacional e hoje é um dos grandes exportadores de carne. Então, com isso, a imagem do país, vai ser muito afetada”.

Ele esclareceu que como a exportação de carne não é bolsa de mercadorias mas mercado físico, “oferta e demanda”, o país vai enfrentar eventuais cancelamentos e possíveis reduções de preços. Disse que o cenário só não será pior porque nos Estados Unidos, que são o maior exportador de carne de frango hoje, apareceu mais um caso de gripe aviária. “Mas, infelizmente, nós vamos sentir o impacto negativo aqui”

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