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Geral

27/02/2012 13:00

Mesmo com campanhas, trotes são exagerados e humilham calouros

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Mayara Sá

Apesar de existir uma Lei Municipal (nº 3.683) que proíbe o trote violento em Campo Grande, todo início de ano é a mesma cena. Calouros pintados de guache, com as roupas íntimas colocadas por fora, descalços, ou com um pé apenas do sapato... Várias brincadeiras, de mau gosto, são feitas com os bixos, como são chamados.

Na euforia de ter entrado para a universidade, os estudantes, em geral, aceitam passar por situações que muitas vezes são vexatórias. Nesta manhã, muitos deles estavam em frente ao Bar Escobar, perto da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) “interagindo”, como disseram, entre tintas, farinhas e cerveja.

As brincadeiras vão desde a dança do elefantinho, que é cada um segurar na mão do outro por debaixo das pernas e andar em fila até depilação nos meninos.

Geovani Mosena, 18 anos, que entrou para o curso de Direito, um dos mais concorridos da federal, estava sendo depilado pelos veteranos. Na brincadeira, ele ficou em um círculo e os colegas faziam contagem regressiva para o início da sessão.

“Tem um limite e eles não ultrapassaram. A gente está aqui porque quer. Não vejo como humilhação”, declarou o estudante.

Os veteranos do curso de engenharia elétrica contam que antes de começar o trote reuniram os calouros em uma sala e perguntaram quem queria participar. Segundo eles, só entra na brincadeira quem quer.

O veterano Marcelo Henrique, 18 anos, enfatiza: Só entra quem quer. Tá todo mundo feliz por ter entrado na universidade.

Perguntado se há algum tipo de orientação sobre o que pode e não pode fazer no trote, ele disse que a universidade não deu instrução alguma do que poderia e do que não poderia ser feito em relação ao trote.

Luciano Higa, 17 anos, que entrou em engenharia elétrica, disse que está tranqüilo com os trotes e que achou tudo “massa”. “Todas as brincadeiras foram com o consentimento dos calouros”, apontou.

Daniele Burto, 17 anos, do curso de matemática, conta que foi ao trote para conhecer os colegas e fazer amizades. “Eu vim aqui conhecer a turma. O trote vem unir calouros e veteranos”, defende.

“Calouro é o bixo!”

O DCE (Diretório Central de Estudante) organiza a Campanha “Calouro é o bixo!”. Segundo a estudante Marina Duarte, 18 anos, estudante de jornalismo, o DCE anualmente faz campanha de conscientização contra o trote violento.

Este ano, o grupo pôs cartazes pela universidade e organiza mesas abertas e apresentação de curtas-metragens. Segundo Marina, a ideia é integrar o calouro e mostrar a universidade aos novatos.

A acadêmica ainda explicou que o DCE é totalmente contra o trote violento, mas não tem como coibi-lo fora da universidade. Ela ainda lembrou que este ano foi criada a Comissão Ouvidora do Trote e que até o momento não há nenhuma denúncia ou reclamação sobre isso.

Comissão

A Reitoria da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul, constituiu, através da Portaria nº 051 de 13/02/2012, a Comissão Ouvidora de Recepção aos Calouros da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/2012.

A comissão é integrada por dois membros do corpo docente (Ana Lúcia Martins de Souza e José Carlos Crisóstomo Ribeiro), um membro discente (Higor Cirilo da Costa) e o representante indicado pela OAB/MS, Dr. Yves Drosghic. O objetivo é acompanhar a recepção dos calouros, acolher e apurar denúncias.

Leis

Em Campo Grande, a Lei Municipal nº 3.683 de 29/11/1999 estabelece critérios para comemorações de aprovação em concurso vestibular.

Em Mato Grosso do Sul, a Lei Estadual nº 2.229 de 9/12/2004 dispõe sobre a proibição de trote, quando realizado sob coação, agressão física, moral ou qualquer constrangimento que possa colocar em risco a saúde ou a integridade física dos calouros de estabelecimentos de ensino, pertencentes, mantidos ou vinculados ao Poder Público ou à iniciativa privada.

A UFMS tem uma Portaria nº 31 de 17/1/2001 que proíbe recepção violenta aos UFMS e define o que é violência.

Denúncias

Denúncias, reclamações, sugestões e críticas poderão ser encaminhadas para o número de telefone 3345-7460, e-mail calouros.rtr@ufms.br ou no protocolo Central, endereçada a Comissão Ouvidora de Recepção aos Calouros da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/2012.



Comentários (7)

29/02/2012 02:12
Lucas Vale
isso já demorou para acabar. qual a necessidade disso? Ano que vem meu filho estará entre os calouros, se for obrigado a passar pelo trote podem aguardar...A Lei está em vigor e eu também estarei lá desafiando esses mercenários que se dizem veteranos, quero só ver. Como disse o filho daquela senhora que a falsa PASTORA EVANGÉLICA lhe surrupiou valores altíssimos, queria que fosse com a minha mãe.

28/02/2012 21:27
Gustavo Henrrique
INFELIZMENTE QUEM NAO GOSTA E POR QUE NUNCA PASSOU NA UFMS...

28/02/2012 13:02
Thiago Vasconcelos
Concordo plenamente com você Leandro Furtado pois ficam comentando que o trote é uma tradição onde quem nao quer nao participa e nao precisa ir gente tem mais assuntos que preocupam muito mais a nossa sociedade como a fome a violencia e etc.

28/02/2012 09:28
Leandro Furtado
Engraçado vocês publicarem que os calouros sujos de tinta e descalços é uma humilhação, ainda mais sendo isso feito com o consentimento dos mesmos..Porque não publicam sobre os moradores de rua, que ficam descalços o ano todo e sujos também, mas não de tinta e sim porque não tem onde fazer suas necessidades de higiene...Isso sim é humilhação, e e ninguém diz nada e nem faz nada...Pensem nisso!!!

28/02/2012 09:21
Dr. Bruno Ribeiro
Cuidado ao denunciarem! Eu ja o fiz em 2010, administrativamente e a polícia,o TCO foi encaminhado ao Juizado Especial (Moreninhas), e para minha surpresa, na audiencia compareceu o assessor da reitoria, como advogado da pessoa que me agrediu, que era professora da Universidade Federal.

27/02/2012 22:16
AILTON RODRIGUES BAIRROS
Tive grande alegria de ver o meu filho RODRIGO ALMEIDA BAIRROS indo a UEMS em Dourados para matricular-se em Engenharia Física, mas teve trote e fizeram miséria c/ seu cabelo, teve que raspar e ficou igual ao Antonio Carlos jogador. Ainda bem que não usaram de trote violento. Mas acho que deveriam ter mais respeito c/os calouros, teve alguns que arrancaram até sobranceia isto é ridículo.Abraços.

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